Meio&Mensagem

Narradora e desbravadora

Primeira narradora da Globo, Renata Silveira será uma das vozes na cobertura dos Jogos Olímpicos

Valeria Contado

Renata Silveira (crédito: divulgação)

Primeira narradora da Globo, Renata Silveira será uma das vozes na cobertura dos Jogos Olímpicos. Apaixonada por futebol, mãe e uma desbravadora abrindo caminho para outras mulheres, a profissional fará sua primeira participação num dos maiores eventos esportivos do mundo. No entanto, Renata já comandou jogos da Copa do Mundo em 2014, pela Rádio Globo, após vencer o concurso “Garota da Voz” — narrou Uruguai e Costa Rica. Em 2018, pelo Fox Sports, participou do projeto “Narra quem Sabe” e também cobriu a Copa do Mundo da Rússia. Desde dezembro de 2020 no Grupo Globo, fez sua estreia com goleada. A partida entre Motoclub e Botafogo, válida pela primeira rodada da Copa do Brasil, que terminou 5 a 0 para o clube carioca. Além disso, a narradora foi uma das protagonistas das transmissões da Eurocopa deste ano. Ao lado do comentarista Paulo Nunes, Renata viveu uma das situações mais complicadas de sua carreira: a partida entre Dinamarca e Finlândia, em Copenhague. O camisa 10 dinamarquês, Christian Eriksen teve mal súbito, recebeu massagem cardíaca em campo e foi levado para o hospital. E, com jogo interrompido, teve de segurar a transmissão. “Ao mesmo tempo que foi muito difícil, foi muito importante para a minha carreira. Eu aprendi muito naquele dia”, relembra. Experiência acumulada que será posta em prática em sua estreia olímpica.

Meio & Mensagem — Essa é uma das edições olímpicas com maior participação feminina, tanto nas delegações, quanto na parte de cobertura. Como você se sente em poder representar isso dentro da Globo?
Renata Silveira — São muitos anos que nós mulheres estamos batalhando por espaço em todos os aspectos, seja jornalistas trabalhando, ou então as atletas. Ver a história acontecer é muito legal. O caminho é de evolução. Nessa Olimpíada temos esses números, nas próximas serão melhores ainda e assim por diante. Trabalho narrando futebol, e quem está ali acompanhando os jogos que estou
transmitindo é apaixonado, são pessoas que torcem por aquele time específico que estou narrando naquele dia. Mas quando tem esses grandes eventos, acaba trazendo outros públicos, além daqueles
com quem estamos acostumados a falar.

M&M — Você recebe retorno de outras mulheres que querem ser jornalistas esportivas, narradoras?
Renata — Mulheres que querem ser narradoras estão começando a surgir agora. Sempre recebi muitas mensagens de apoio, não só de mulheres, mas de homens também elogiando o trabalho. Mas de um tempo para cá estou começando a receber essas mensagens de inspiração, de agradecer o trabalho que faço, porque eu estou quebrando barreiras, e abrindo portas para outras mulheres. É um caminho sem volta. A narração feminina está presente, não só na Globo, mas em outros canais também. É ocupar o espaço que te dão, é sentar na cadeira e mostrar que mulher também tem capacidade e conhecimento para estar ali narrando uma partida de futebol.

M&M — E qual é a importância de ser uma referência para outras mulheres que querem entrar no meio esportivo?
Renata — Eu, por exemplo, nunca imaginei ser uma narradora. Sempre amei futebol, sempre amei esportes, sempre gostei de estar no estádio, mas nunca imaginei ser uma narradora, porque nunca
vi uma mulher narrando futebol, e, hoje, poder ser uma voz, um exemplo, é lindo demais. Influenciar outras meninas a entrar o meio esportivo é o mais legal de tudo. É um legado que isso pode deixar.
Vimos a Copa do Mundo feminina que aconteceu na França, em 2019, que foi exatamente isso que aconteceu. Víamos estádios lotados, a qualidade do futebol muito boa, e isso reflete na sociedade. As
meninas em casa assistindo, vendo que mulher também pode jogar futebol, também pode ser atleta, então, isso gera uma inspiração nas futuras gerações.

M&M — Como está sendo a preparação para a Olimpíada?
Renata — Estou muito feliz. É a minha primeira vez trabalhando em uma Olimpíada, não poderei estar lá por conta da pandemia, mas estou com uma expectativa muito grande para essa cobertura. Até
hoje, eu só narrei futebol na vida, então, não sei se vou narrar outros esportes nos Jogos Olímpicos. Já estou estudando, lendo alguns materiais referentes às Olimpíadas, acompanhando algumas transmissões de edições anteriores, até para entrar no clima.

M&M — Quais são as suas expectativas para participar desta edição tão particular dos Jogos Olímpicos?
Renata — Me sinto uma sortuda no meio de tudo isso. Ser uma das vozes que contará tantas histórias. Espero que possa narrar muitas medalhas de atletas brasileiros. São histórias de superação e de dedicação, mostrando para toda a sociedade que o sucesso não vem por acaso. É muito suor, muita dedicação para chegar a subir no pódio. É um momento que estamos precisando ver essas histórias na TV, entender como os atletas se superaram, como eles chegaram até essa Olimpíada, quais foram
as dificuldades. Acho que todo mundo se identificará muito com essas histórias. É um momento muito difícil que estamos passando, e poder ter essa válvula de escape através do esporte será muito legal. Acredito muito no esporte como um caminho para seguir, para as pessoas terem sucesso na vida. Seja
trabalhando com esporte, ou como um hobby, uma atividade física que te traz mais qualidade de vida. As pessoas se identificarão e trarão um ar de esperança e coisas novas que estão por vir. Serão especiais por conta disso. Não sei ainda o que vou narrar, mas só de estar presente já será muito especial.

M&M — Como você definiria esse momento?
Renata — É difícil definir, mas as Olimpíadas ainda são um evento até mais importante do que a Copa do Mundo, porque você abrange um número maior de atletas, são diversas modalidades. E essa Olimpíada é diferente, porque era para ter acontecido ano passado, então, os atletas terão várias dificuldades e, ao
mesmo tempo, acho que outros nomes surgirão como surpresa, muito por conta de tudo o que está acontecendo. Eu sou apaixonada por esportes, sou formada em Educação Física, então, vivo o esporte desde pequena. Poder contar essas histórias será muito bacana.

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