Meio&Mensagem

Cobertura de superação

Edição marcada pela pandemia de Covid-19 desafia mídia a contar histórias olímpicas com limitações pelos protocolos de segurança e sem a interação com o público

Valeria Contado

Em estado de emergência, Tóquio recebe maior evento esportivo do mundo sem a presença de público (crédito: Takashi Aoyama/Getty Images)

Os Jogos Olímpicos são uma marca para a humanidade. Em seus primórdios, na Grécia Antiga, a intenção era dar uma trégua nos conflitos. Os primeiros jogos da era moderna aconteceram justamente em Atenas, em 1896, e desde então chegaram a ser cancelados em apenas três ocasiões (1916, 1940 e 1944) sempre em decorrência das guerras que assolavam o mundo. Em 2020, no entanto, o agravamento da pandemia de Covid-19 causou o adiamento dos jogos de Tóquio. Viagens, aglomeração de pessoas nos estádios e ginásios, e toda a celebração que ocorre no entorno e que construíram a mística olímpica poderiam proporcionar situações de risco para os japoneses, visitantes e atletas.

Um ano depois, no momento em que eventos esportivos voltam a acontecer com o público nos Estados Unidos e na Europa — o exemplo mais recente foi a final da Eurocopa, em Londres, com cenas de aglomeração, assim como ocorreu na final da Copa América, no Rio de Janeiro —, Tóquio chega à reta final para receber os Jogos Olímpicos pela segunda vez. Se na primeira vez, em 1964, o país queria mostrar sua reconstrução após as bombas atômicas da Segunda Guerra Mundial, desta vez o desafio será manter a saúde dos participantes. Mesmo com os riscos — Tóquio decretou estado de emergência na segunda-feira, 12 —, as autoridades locais e o movimento olímpico entenderam que o cancelamento oficial da programação causaria prejuízo para atletas, marcas e emissoras licenciadas.

Para minimizar os riscos, às vésperas do início da competição o governo japonês, o Comitê Olímpico Internacional (COI) e o Comitê Organizador vetaram, há duas semanas, a presença de público nas disputas. Em junho, COI, Comitê Organizador e autoridades locais havia liberado a presença de público de 50% da capacidade das are nas, com limite de 10 mil pessoas, apenas para residentes do Japão. A decisão sobre a permissão de torcida nos Jogos Paralímpicos acontecerá após a finalização da Olimpíada, em agosto.

Contando histórias
Neste cenário, um dos maiores desafios dessa edição dos jogos para a mídia brasileira que cobrirá o evento será apresentar histórias de superação para a torcida local com as limitações impostas. As emissoras que vão para o Japão realizar a cobertura passarão por protocolos de segurança durante a sua estadia. Segundo Tiago Cirqueira, gerente executivo de esporte na RBS, emissora de rádio credenciada para o evento, as equipes deverão fazer exames e acompanhamentos diários para conseguir circular por Tóquio nos locais permitidos pela organização.

Os profissionais presentes terão de passar por uma quarentena no país, além de restrições de locomoção. Denis Gavazzi, diretor esportivo da Band e BandSports, emissora sublicenciada da Globo, explica que a movimentação de repórteres e produtores, que já se encontram in loco, está sendo monitorada pelas autoridades. O profissional conta, ainda, que a Band enviou um cronograma ao comitê explicando previamente para onde mandaria as equipes de reportagem.

Além de cumprir os protocolos estabelecidos pelo COI, a Globo, emissora detentora dos direitos de imagem para a transmissão de todas as competições, decidiu fazer um protocolo próprio. “Todos os profissionais que viajaram passaram por uma quarentena de sete dias, ainda em solo brasileiro, antes de embarcar. Ao chegar a Tóquio, ficaram mais quatro dias no hotel. Estamos com médicos prontos para prestar qualquer auxílio que se fizer necessário”, explica Renato Ribeiro, diretor de conteúdo de esporte do grupo.

Essas restrições se fazem necessárias, por conta do risco de contaminação durante a cobertura. Por isso, as emissoras reduziram os números de profissionais que estarão no Japão. A Globo é a emissora que terá a maior equipe em solo japonês, com 50 pessoas entre repórteres, produtores e cinegrafistas. Todos vacinados e fora do grupo de risco. A emissora decidiu não enviar nenhum profissional que esteja dentro do grupo de risco, mesmo que já estejam vacinados com as duas doses. Já a Band está enviando 20 profissionais para Tóquio, entre repórteres, produtores e engenheiros de logística. A RBS segue para o Japão com cinco pessoas, que serão os pontos de contato da rádio, para cumprir a missão de contar as histórias dos atletas presentes no evento.

Os repórteres responsáveis pela cobertura terão acesso aos 301 atletas brasileiros classificados para os jogos, mas deve haver restrições. “A parte de jornalismo, o fato em si, comprometerá um pouco, mas não será tão violento. Em outras edições, um grande diferencial foi poder contar histórias fora dos jogos. A população em movimento, a torcida, as festas, as modificações na sociedade local, todo esse entorno fora das quadras, dessa vez não teremos”, ressalta Denis Gavazzi, da Band, que está indo para a sua sétima Olimpíada.

No Brasil, as emissoras devem manter a maior parte das equipes de transmissão focadas no evento. O Grupo Globo, que promete entregar 200 horas na TV aberta, além de toda a cobertura em seus canais pagos e no Globoplay, contará com 500 profissionais direcionados especialmente para os Jogos Olímpicos. Além disso, a emissora segue com a sua programação de futebol, que não deve ser paralisado por conta dos jogos. Renato Ribeiro comenta que o grupo teve preocupação especial com os funcionários que ficarão no País. “Criamos também protocolos para o aumento de fluxo de equipes nas nossas redações e estúdios. Mesmo com todas as restrições, faremos uma entrega profunda e de muita qualidade para o público”, diz.

No fuso de Tóquio
Os jornalistas e profissionais envolvidos na cobertura dos jogos também viverão uma Olimpíada pessoal. O Japão está a 12 horas do fuso horário do Brasil (segundo o fuso de Brasília), e as transmissões devem ocupar os horários nobres das emissoras. “Teremos disputas olímpicas importantes à noite, no horário nobre. Pela manhã. As escalas das equipes serão montadas à luz de uma priorização de horários”, explica Renato Ribeiro. O Grupo Globo é o detentor dos direitos de transmissão do evento, no Brasil, e dedicará grande parte de sua grade de programação para a cobertura. Além da TV aberta, serão mais de 840 horas de trans missão, com mais de 40 sinais com competições ao vivo, e o hub de informações olímpicas no ge.globo.

Além disso, a emissora disponibilizará aos assinantes do streaming programação voltada ao on demand. “O Globoplay oferecerá gratuitamente a transmissão da TV Globo, a transmissão do Ohayo Tóquio e conteúdo on demand com as íntegras das cerimônias e vídeos curtos com os melhores momentos. Para os assinantes do Globoplay + Canais ao vivo, essa entrega será ainda mais robusta, com a transmissão dos quatro canais SporTV com o melhor da Olimpíada e todos os sinais de competições oferecidos pelo Comitê Olímpico Internacional”, reforça Renato.

Do ponto de vista das entregas comerciais, além das possibilidades com vinhetas, chamadas, inserts animados, breaks e mídias no digital e redes sociais, o projeto contempla dois novos formatos (Split Screen e Squeeze Back), incluídos nos hiatos naturais entre as competições. Os formatos colocam lado a lado as imagens da cobertura da Globo e as mensagens dos patrocinadores, construindo novos canais de conversas com os fãs ao longo da transmissão. O grupo já tem doze parceiros comerciais presentes em todo o seu conteúdo. São eles Alpargatas, Ambev, Apple, Bradesco, Magalu, MRV, Natura, Netflix, Nivea, Prudential, Samsung e Sportsbet.io.

O BandSports, por sua vez, tem a intenção de integrar o conteúdo para entregar ao público uma cobertura robusta. “A programação do BandSports durante os Jogos Olímpicos se vira totalmente para a cobertura. Vamos fazer transmissão 24h dos torneios”, reforça Denis Gavazzi. A emissora conta com dois patrocinadores: TIM e XP. Para a fintech, o Grupo Bandeirantes promete produzir conteúdo para as plataformas da marca.

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