A Rio 2016 ainda não acabou

Legado da primeira Olimpíada realizada no Brasil está vivo para as marcas que a patrocinaram

Redação

Por Márcio Juliboni

As marcas que patrocinam uma Olimpíada sabem que ela começa muito antes da cerimônia de abertura. São anos de planejamento cuidadoso para que, naquelas poucas semanas em que os Jogos são realizados, os clientes tenham uma experiência inesquecível. Mas, tão verdadeiro quanto isso, é o fato de que os resultados de um trabalho bem feito duram muito mais do que o próprio evento — e a Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016, também deixou um legado para as marcas que a apoiaram. A montadora japonesa Nissan é um exemplo. Embora atue no país desde os anos 2000, suas operações ganharam fôlego com a Rio 2016.

Quando inaugurou sua fábrica em Resende no Rio, em abril de 2014, a Nissan detinha 1,91% do mercado, segundo a Fenabrave. Um mês antes do início do evento, sua fatia estava em 2,67%. Em setembro, era de 2,93%, passando para 3,07% em dezembro. Atualmente, a montadora detém 3,82% de mercado. “A Rio 2016 representou uma mudança de patamar, em termos comerciais”, afirma Rogério Louro, diretor de comunicação corporativa da Nissan Brasil. A Nissan também fez história ao ser a primeira montadora a aproveitar uma Olimpíada para lançar mundialmente um modelo — no caso, o Kicks. O SUV tornou-se seu carro mais vendido na América Latina. No Brasil, representa 50% de suas vendas.

Rio 2016 representou mudança de patamar para a Nissan, segundo o diretor Rogério Louro

A Rio 2016 também deixou lições de relações públicas. A principal foi a regionalização da comunicação. Como uma das patrocinadoras do revezamento da tocha olímpica no País, a montadora percorreu 325 cidades ao lado dos atletas, personalidades e populares que se revezaram no translado do maior símbolo dos Jogos. Era mais que o dobro de localidades com concessionárias da Nissan na época. Para cobrir tudo isso, a maior aposta foram as mídias digitais, que mudaram a visão da empresa sobre os brasileiros. “Entendemos o tamanho do Brasil e a necessidade de regionalizar toda a comunicação”, diz Louro.

Dos releases ao material produzido para suas mídias sociais, passando pela publicidade, o esforço se concentrou em respeitar a cultura de cada pedaço do País. O cuidado perdura até hoje. “A maior parte do que aplicamos em nossa comunicação vem da Rio 2016”, diz Louro.

A Visa é outra marca que ainda colhe frutos do evento. Participando dos Jogos há 30 anos e integrante do programa TOP (The Olympic Partner), que reúne os principais patrocinadores globais do evento, a empresa aproveitou a Rio 2016 para apresentar, pela primeira vez, suas tecnologias de pagamento por aproximação. Foram lançados pulseira, anel, aparelho celular (em parceria com a Samsung) e relógio, criado com a Swatch. “Foi um evento importante para a Visa se posicionar como uma empresa inovadora”, afirma Rodrigo Bochicchio, diretor de marketing da empresa no Brasil. “A aceitação de pagamentos por aproximação deu um salto na Rio 2016”, complementa. O conhecimento acumulado com essa experiência pioneira abrange desde o desenvolvimento de produtos e serviços, até o trabalho de convencer os lojistas a aceitarem a nova forma de pagamento. Tudo isso foi exportado para as operações em outros países e pôde ser visto, por exemplo, na Olimpíada de Inverno de 2018, quando a Visa lançou uma luva que permite o pagamento por aproximação.

“Associação entre os Jogos e a inovação é perfeita para nós”, afirma Rodrigo Bochicchio, da Visa

Outro resultado positivo foi estreitar o relacionamento com o mercado. Como patrocinadora exclusiva do Comitê Olímpico Internacional (COI) para serviços de pagamento, a Visa tem o direito de desenvolver promoções com seus parceiros, como bancos e redes de varejo. O retorno positivo da Rio 2016 os animou a continuar com o trabalho “Tivemos grande número de ativações em 2016, e isso fez com que os clientes se interessassem muito pela próxima Olimpíada”, diz Bochicchio. “Considero isso um legado de negócios, que vai além dos resultados de inovação e de marca”. Tanto que a Visa e seus parceiros pretendem levar cerca de 200 pessoas para o Japão neste ano. É a Rio 2016 desembarcando em Tóquio 2020.

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